Círio Cabo Espichel

Não há memória da força motivadora que levou um grupo de gente, fundadores da SFH a caminharem juntos, num misto de prece, graça e romaria, todos os anos a 15 de Agosto, ao Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. Aquele que até aos dias de hoje acolhe a descendência desta grande família sendo lugar de recolhimento, de proximidade, de união e paz, lugar que une o passado ao presente numa festa memorável em louvor a Maria.

O culto a Nossa Senhora do Cabo perde-se no tempo mas acredita-se que anteriormente à sua veneração, por volta de 1410, o Cabo Espichel fosse já um grande Centro de Peregrinações. Diz-se que a partir de 1715, a grande afluência de Círios ao Cabo Espichel, obrigou a que se construíssem hospedarias com sobrados e lojas que seriam ampliados cerca de 50 anos depois.

As Hospedarias, a Ermida da Memória e a Igreja mandada construir por D. Pedro II, constituem actualmente o Santuário de NSCE, local muito demandado por peregrinações.

A origem do Círio da SFH remonta ao ano de 1822, ano que iniciou um ciclo de história marcante destes Homens de paz e festa, que se deslocavam em carroças repletas de mantimentos para os dias que antecediam a festa do dia 15 de Agosto. Não faltavam as panelas e os tachos, os animais de criação, a comida, o bom vinho de Palmela e uma grande dose de boa disposição. Rezavam, tocavam, cantavam, e a emoção e alegria da viagem rumo ao grande santuário era uma constante.

A Casa do Círio da SFH no Cabo Espichel, tinha também uma divisão anexa que servia de pequena sala de espectáculos e quando finalmente chegavam ao santuário, já perto da noite, encontrando-se a igreja fechada, não se rendiam ao cansaço da viagem, e entravam em palco da pequena sala de espectáculos onde representavam peças de teatro ou faziam baile até ao amanhecer. Os dias que antecediam o grande dia eram passados em verdadeiro convívio familiar, rezavam na Ermida da Memória, faziam passeios ao farol ou desciam à praia do Cabo em grandes grupos e com direito a piquenique.

A tradição permaneceu até aos dias de hoje, sofrendo algumas alterações, sobretudo no que respeita à facilidade de transporte e economia de tempo na chegada ao Santuário do Cabo Espichel. A peregrinação da família caceteira continua a envolver, como qualquer festa, dias de azáfama com a sua preparação. É necessário não esquecer nada!
Dois dias antes da Romaria, reúnem-se à porta da sede da SFH o grupo de músicos, que saem a tocar pelas ruas de Palmela ao encontro das pessoas que no ano anterior leiloaram as bandeiras para as recolher à sede. A pessoa ou família que ficou com a imagem compromete-se a entregar na sede na véspera da partida. Nesse dia reza-se o terço em louvor a Maria, uns como forma de agradecimento e outros em jeito de prece pelas suas próprias famílias mas também pela grandiosa e nobre causa da nossa Humanitária.

Nos últimos anos renovou-se também a tradição de pernoitar no Santuário na noite que antecesde as comemoraçõesm em jeito de acampamento moderno com direito a animadas sessões de karaoke, dança e teatro.

 

Fique a conhecer um pouco mais deste Círio aqui.